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GOVERNO PS ACARINHA PATRONATO COMPROVADAMENTE INCOMPETENTE NA LEGISLAÇÃO LABORAL
Valdemar Henriques
Por mais voltas que se tente dar, o país é atrasado porque temos uma chamada classe empresarial, no geral, analfabeta, boçal e incompetente.
[05-02-2008]
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Por mais voltas que se tente dar, o país é atrasado porque temos uma chamada classe empresarial, no geral, analfabeta, boçal e incompetente.
Agora que todo o tecido económico está nas mãos da chamada iniciativa privada, está clarisssimo que, ao contrário do que se diz, os privados governam pior e roubam mais.
O país está cada vez mais atrasado porque a chamada classe empresarial tem sido incompetente para gerir as empresas, tendo-se “especializado” em inventar desculpas para ocultar o que é óbvio.
As empresas estão mal porque o Estado não lhes dá os meios necessários ao respectivo desenvolvimento e modernização. Tem sido com esta lengalenga que milhões e milhões vão sendo desbaratados e canalizados para gente sem escrupulos.
Há dezenas de anos que o Orçamento do Estado tem sido usado, em beneficio próprio, pela tal classe empresarial e os resultados estão à vista.
Há dezenas de anos que a mesma chamada classe empresarial, reclama a restauração da lei do chicote nas empresas porque, segundo tão doutas cabeças, os trabalhadores portugueses têm direitos a mais e, por via disso, são um entrave ao desenvolvimento.
Há dezenas de anos que, os governos dos partidos gémeos (PS e PSD), convictamente, agravam as injustiças sociais, alargam o fosso entre ricos e pobres e tentam introduzir no ordenamento juridico, leis e medidas que permitam ainda mais exploração, descriminação e autoritarismo patronais.
Mário Soares deu o pontapé de saída com a invenção dos contratos a prazo, a liberalização dos despedimentos e a criação de sindicatos patronais – entre outras malfeitorias.
Cavaco Silva, tentou impôr um pacote laboral que, na altura, levou a duas greves gerais e pouco tempo depois a ser escorraçado do poder. António Guterres também quis fazer figura nesta matéria e não fosse ter sofrido uma estrondosa derrota eleitoral nas autárquicas, teria arranjado um qualquer “queijo limiano” para ter a maioria que lhe permitisse premiar os patrões amigos e, claro, também bons católicos.
Bagão Félix, mais recentemente, também como bom católico e tudo, pôs-se em bicos dos pés e inchado de ódio a quem trabalha assumiu como tarefa de uma vida a imposição dum Código de Trabalho que, definitivamente, colocasse ponto final às veleidades adquiridas com a revolução de Abril e, muitas delas, consagradas na Constituição.
Não fora a greve geral que a CGTP-IN realizou e que obrigou o governo CDS/PSD a enrolar o fio em muitas matérias e teriamos hoje os trabalhadores ainda mais explorados e uma sociedade também mais desigual.
Na altura da governação do Félix, como sempre que o partido gémeo está no governo, o PS, como pertence, representava o papel de oposição e, se bem estamos recordados, com o seu “Alberto João”a mandar mais bocas contra a direita e tal.
Levaram o papel tão a sério que votaram contra a pacotada laboral do partido gémeo e juraram que assim que se apanhassem no governo, revogariam as normas mais gravosas do dito pacote laboral. Na campanha eleitoral, reafirmaram a intenção de revogar as malfeitorias do partido gémeo.
O programa do governo diz o mesmo, contudo, caçado o voto, como toda a gente já tinha a obrigação de saber, o PS, não poderia deixar mal o seu gémeo e, vai daí, pretende mostrar que é bastante mais amigo e melhor mordomo dos interesse do capital (boçal e incompetente, não importa) que o mano do PSD.
Tudo isto vem a propósito do anuncio do governo PS querer alterar o Código do Trabalho, visando mostrar ao partido gémeo que, quando se trata de lixar quem trabalha, é melhor e mais eficaz do que ele.
Aconselho vivamente, os leitores a conhecerem os propósitos do governo e do patronato. Na internet está lá tudo mas, se alguém quiser, forneço o parecer da CGTP-IN sobre a encomenda feita pelo governo a uma Comissão patronal e que serve perfeitamente para mostrar o que nos espera, se….. não nos mexermos.
Não se organizem nos Sindicatos da CGTP-IN e logo verão o que acontece!
05-02-2008
Valdemar Henriques
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